
Resposta curta
Reajuste o preço do cliente antigo uma vez por ano, avisando com pelo menos 30 dias. Use a inflação do período como piso do reajuste: em agosto de 2026, a inflação oficial de 12 meses foi de 4,22%. Aumentos maiores precisam de um motivo novo, como mais entregas ou mais experiência.

Neste guia
Por que o preço parado encolhe
Um preço que não muda perde valor todo ano. A inflação faz o mesmo dinheiro comprar menos coisas. Se você cobra R$ 2.000 há três anos, hoje esses R$ 2.000 pagam menos aluguel, menos comida e menos programas do que pagavam.
O cliente antigo costuma ser o que paga menos. Ele entrou quando você cobrava mais barato, e o preço dele ficou. Enquanto isso, os clientes novos já pagam a tabela atual. Sem reajuste, o seu melhor cliente vira o seu pior pagador.
Muitos freelancers adiam a conversa por medo de perder o cliente. Mas o reajuste anual é comum em quase todo contrato: aluguel, plano de internet, escola. O cliente também vive isso do outro lado.
Repor a inflação ou subir de patamar
Existem dois tipos de reajuste, e vale separar os dois na conversa.
- Reposição da inflação. É devolver ao preço o valor que ele perdeu. Usa um índice oficial, como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É difícil o cliente discordar, porque é uma conta pública.
- Novo patamar. É cobrar mais porque o trabalho mudou. Você entrega mais peças, resolve mais rápido, tem mais experiência ou o cliente cresceu e usa o trabalho em mais lugares.
A reposição pede só um aviso. O novo patamar pede um argumento. Misturar os dois numa frase só ("vou subir 25% por causa da inflação") enfraquece a conversa, porque o cliente sabe que a inflação não foi de 25%.
Quando avisar e como escrever
Escolha uma data fixa, como o aniversário do contrato ou o começo do ano. Avise com pelo menos 30 dias de antecedência. Assim o cliente consegue ajustar o orçamento dele, e ninguém é pego de surpresa na nota do mês.
O aviso deve trazer quatro coisas:
- o valor atual e o novo valor;
- a data em que o novo valor começa;
- o motivo, em uma frase;
- um convite para conversar, se o cliente quiser.
Um modelo curto: "Oi, Paula! Como todo ano, vou atualizar os valores a partir de 1º de fevereiro. O pacote mensal passa de R$ 2.000 para R$ 2.085, pela inflação dos últimos 12 meses. Se quiser conversar sobre o escopo, estou à disposição."
Escreva por e-mail ou por mensagem, nunca só por telefone. O registro escrito evita dúvida sobre a data e o valor. Se o contrato já prevê o índice de reajuste, cite a cláusula. O guia contrato de freela mostra como incluir essa regra desde o começo.
Exemplo resolvido: o pacote mensal da Paula
Lucas faz a gestão das redes de uma loja há três anos. O pacote mensal é R$ 2.000 desde o começo. Ele decide repor a inflação dos últimos 12 meses. Usa o IPCA acumulado até agosto de 2026, de 4,22%, publicado pelo IBGE.
As contas:
- Reajuste em reais: R$ 2.000 × 4,22% = R$ 84,40.
- Novo valor: R$ 2.000 + R$ 84,40 = R$ 2.084,40.
- Arredondado: R$ 2.085 por mês.
- Diferença no ano: R$ 85 × 12 = R$ 1.020.
Lucas também passou a entregar 4 vídeos curtos por mês, que não estavam no pacote original. Ele separa as duas conversas na mesma mensagem:
| Item | Antes | Depois |
|---|---|---|
| Pacote original, reposto pela inflação | R$ 2.000 | R$ 2.085 |
| 4 vídeos curtos por mês (novo escopo) | sem cobrança | R$ 400 |
| Total por mês | R$ 2.000 | R$ 2.485 |

A conta dos vídeos: 4 × R$ 100 = R$ 400. O total: R$ 2.085 + R$ 400 = R$ 2.485. A cliente pode aceitar tudo ou manter o pacote antigo sem os vídeos, pagando só a reposição.
A regra geral: novo preço = preço atual × (1 + índice do período), e todo serviço a mais entra como item separado.
O que fazer se o cliente reclamar
Primeiro, escute. Às vezes o cliente está num mês ruim e só precisa de mais prazo. Você pode adiar o reajuste por dois ou três meses sem abrir mão dele.
Se o cliente não pode pagar o novo valor, ajuste o escopo, não o preço. Menos peças por mês, menos reuniões, prazo de entrega maior. Assim o seu valor por hora fica intacto.
Se nada disso resolver, decida com calma. Um cliente que paga abaixo do seu piso ocupa o lugar de um cliente que paga o preço justo. O guia como dar desconto no freela mostra quanto custa manter alguém abaixo da tabela. Para a conta completa do preço, veja o guia de quanto cobrar por um freela.
Erros comuns
- Ficar anos sem reajustar e depois subir de uma vez. Muita gente acha que juntar tudo num reajuste só evita várias conversas. Na verdade, um salto de 20% assusta muito mais do que 4% ao ano, porque o cliente sente o choque de uma vez.
- Avisar o reajuste junto com a nota do mês. Muita gente acha que o aviso em cima da hora resolve. Na prática, o cliente sente que foi pego de surpresa e negocia com mais força.
- Pedir desculpas pelo reajuste. Muita gente acha que se justificar demais suaviza o pedido. Na verdade, o texto longo passa insegurança e convida a pechincha, porque parece que o valor ainda está em aberto.
Perguntas frequentes
Qual índice usar para reajustar o preço do freela?
O mais comum é o IPCA, a inflação oficial do Brasil, medida pelo IBGE. Use o acumulado de 12 meses até o mês do reajuste. A Calculadora do Cidadão, do Banco Central, faz a correção de um valor entre duas datas.
Com quanto tempo de antecedência avisar o reajuste?
Trinta dias é um bom mínimo. Para clientes grandes, que fecham orçamento no fim do ano, avise em outubro ou novembro. Assim o novo valor já entra no planejamento deles.
Cliente novo e cliente antigo podem pagar preços diferentes?
Podem por um tempo, mas a diferença não deve crescer. O ideal é trazer o cliente antigo para a tabela atual aos poucos, com reajustes anuais e escopo claro. Uma diferença grande vira prejuízo escondido.
E se o contrato não fala em reajuste?
Combine a partir do próximo período. Mande o aviso com antecedência e proponha incluir a regra no contrato: índice, data e forma de aviso. Para os próximos clientes, coloque essa cláusula desde o primeiro dia.
Teste você mesmo
- Você cobra R$ 1.500 por mês e quer repor um IPCA de 4%. Qual é o novo valor?
Ver resposta
R$ 1.500 × 4% = R$ 60; R$ 1.500 + R$ 60 = R$ 1.560.
- Qual a diferença entre repor a inflação e subir de patamar?
Ver resposta
Repor a inflação devolve o valor que o preço perdeu; subir de patamar cobra mais porque o trabalho ou o seu nível mudou.
- O cliente diz que não consegue pagar o novo valor. O que ajustar primeiro?
Ver resposta
O escopo, como menos peças ou prazo maior, mantendo o valor da sua hora.
Fontes
- IPCA acumulado em 12 meses, IBGE, tabela 1737, ago/2026 (abre em nova aba): o IPCA de 4,22% em 12 meses até agosto de 2026, consultado em 09/10/2026.
- Calculadora do Cidadão, Banco Central do Brasil, 2026 (abre em nova aba): a correção de valores por índices de inflação entre duas datas.
- Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, Wikipédia, 2026 (abre em nova aba): o que é o IPCA e quem o calcula. Trecho: "é um dos indicadores econômicos mais importantes no Brasil".
Como este guia foi feito
Escrito por Artur Batissoco, com apoio de inteligência artificial na redação. Revisado por Artur Batissoco, que conferiu o IPCA na tabela oficial do IBGE. As contas do exemplo foram refeitas automaticamente. Os valores do Lucas são ilustrativos: troque pelos seus.
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