
Resposta curta
Não responda com um número solto. Agradeça, faça duas ou três perguntas sobre o pedido e devolva uma faixa de preço com o que muda de uma ponta à outra. Se o cliente insistir num valor na hora, dê a faixa já com a condição: "depende do número de páginas".

Neste guia
Por que o número solto atrapalha
Quem pergunta "quanto custa?" na primeira mensagem quase sempre ainda não sabe direito o que quer. Ele compara preços para entender o mercado. Se você responde só "R$ 2.000", acontecem duas coisas ruins.
A primeira: o número parece caro, porque não vem com nada ao lado. O cliente não sabe o que está incluído, então compara o seu valor com o de alguém que vai entregar a metade.
A segunda: o número prende você. Se depois o pedido crescer, fica difícil subir o valor que você mesmo disse. O cliente lembra do primeiro número, não das condições.
O silêncio também é ruim. Responder "preciso de uma reunião" para uma pergunta simples soa como enrolação. O caminho do meio é uma resposta curta, com perguntas e uma faixa.
As perguntas que vêm antes do preço
Duas ou três perguntas bastam. Escolha as que mais mudam o seu trabalho:
- Tamanho. Quantas páginas, quantos minutos de vídeo, quantas peças por mês.
- Prazo. Para quando precisa e se existe uma data fixa, como um lançamento.
- Material. O cliente já tem textos, fotos, marca, acesso aos sistemas?
- Uso. Onde o trabalho vai aparecer: só nas redes, em campanha, em embalagem.
Pergunte de forma direta, numa mensagem só. Uma lista numerada facilita a resposta pelo celular. Evite mandar um formulário longo no primeiro contato: a pessoa desiste antes de preencher. O guia o que perguntar antes de orçar traz a lista completa para quando o cliente já está mais perto de fechar.
A faixa de preço: como montar sem chutar
A faixa vem da sua conta, não do medo. Pense no menor e no maior trabalho que costumam caber naquele pedido. Calcule as horas de cada um e multiplique pela sua hora.
A ponta de baixo é o trabalho mais simples que você aceitaria fazer. A ponta de cima é a versão mais completa que costuma aparecer. Nunca coloque na ponta de baixo um valor abaixo do seu piso, porque o cliente vai se agarrar a ele.
Diga o que faz o preço ir de uma ponta à outra. "Entre R$ 1.800 e R$ 3.000, conforme o número de páginas e se os textos já estão prontos." Essa frase explica o preço e já puxa a próxima pergunta. A conta do piso está no guia de quanto cobrar por um freela.
Quatro respostas prontas
Adapte o tom ao seu jeito de falar. Cada resposta tem até três frases.
- Cliente com pedido vago. "Oi, obrigado pelo contato! Para te passar um valor justo, me conta: quantas páginas o site teria, para quando precisa e se os textos já estão prontos? Sites assim costumam ficar entre R$ 1.800 e R$ 3.000."
- Cliente com pedido claro. "Oi! Para uma edição de 3 minutos com legenda, entrega em 7 dias e duas revisões, o valor fica em R$ 1.440. Se quiser, mando a proposta com o que está incluído."
- Cliente que só quer o preço. "Entendo! Sem os detalhes, a faixa é de R$ 600 a R$ 1.200. O que mais pesa é a quantidade de peças. Me diz quantas você precisa que eu fecho o número."
- Cliente com orçamento definido. "Com R$ 800 consigo entregar a versão essencial: 4 peças e uma revisão. Para as 8 peças, o valor seria R$ 1.400. Qual faz mais sentido agora?"
Repare que nenhuma resposta pede desculpas pelo preço. O valor vem com o que está incluído, e a última frase devolve uma pergunta fácil de responder.
Exemplo resolvido: a faixa de um site institucional
Carla é desenvolvedora. O piso dela é R$ 70 por hora. Um cliente escreve: "Quanto custa um site?" Carla pensa nos dois extremos que costuma receber.
| Versão | Horas estimadas | Preço |
|---|---|---|
| Site de 3 páginas com textos prontos | 24 | R$ 1.680 |
| Site de 6 páginas, textos revisados por ela | 42 | R$ 2.940 |
As contas:
- Versão simples: 24 × R$ 70 = R$ 1.680.
- Versão completa: 42 × R$ 70 = R$ 2.940.
- Diferença entre as pontas: R$ 2.940 − R$ 1.680 = R$ 1.260.
Carla arredonda para "entre R$ 1.700 e R$ 3.000" e explica que o número de páginas e os textos fazem a diferença. Quando o cliente responde "são 4 páginas e eu mando os textos", ela recalcula: 30 horas × R$ 70 = R$ 2.100.
A regra geral: faixa = horas da menor versão × sua hora até horas da maior versão × sua hora, sempre com o motivo da diferença ao lado.
Erros comuns
- Dar desconto antes de o cliente pedir. Muita gente acha que já mandar "faço por menos" ajuda a fechar. Na verdade, isso diz que o seu preço tem gordura, e o cliente vai pedir mais.
- Mandar a tabela de preços completa. Muita gente acha que mostrar tudo de uma vez economiza tempo. Na prática, o cliente olha só o menor número e para de ler.
- Demorar dias para responder. Muita gente acha que pensar bem vale a espera. Na verdade, quem responde primeiro com uma faixa e uma pergunta costuma ficar com a conversa, porque o cliente já está falando com ele.
Perguntas frequentes
É falta de profissionalismo não dizer o preço na hora?
Não. Fazer duas ou três perguntas antes do número mostra cuidado com o pedido. O que soa mal é sumir ou exigir reunião para uma pergunta simples. Responda rápido, com perguntas e uma faixa.
Devo colocar preço no meu perfil ou no meu site?
Uma faixa de "a partir de" ajuda a filtrar quem procura algo muito mais barato. Evite uma tabela fechada para trabalhos que variam muito, porque o cliente se apega ao menor valor e ignora as condições.
E se o cliente sumir depois que eu mandar a faixa?
Faz parte. Parte das pessoas está só pesquisando. Mande uma mensagem curta dois ou três dias depois, perguntando se ficou alguma dúvida. Se não houver resposta, siga em frente sem insistir.
Posso responder por áudio?
Pode, se o cliente usa áudio. Mas mande o valor e o que está incluído também por escrito, numa mensagem curta. Preço falado se perde, e o registro escrito evita discussão depois.
Teste você mesmo
- Seu piso é R$ 60 por hora. A menor versão do trabalho leva 10 horas, e a maior leva 25. Qual é a faixa?
Ver resposta
10 × R$ 60 = R$ 600; 25 × R$ 60 = R$ 1.500. A faixa vai de R$ 600 a R$ 1.500.
- Por que a ponta de baixo da faixa nunca pode ficar abaixo do seu piso?
Ver resposta
Porque o cliente tende a se agarrar ao menor valor dito, e você ficaria preso a um preço que dá prejuízo.
- O que deve vir junto da faixa de preço?
Ver resposta
O motivo da diferença entre as pontas, como o número de páginas ou se o material já está pronto.
Fontes
- Código Civil, Lei 10.406, 2002 (vigente) (abre em nova aba): o artigo 594 trata do contrato de prestação de serviço, que nasce de uma retribuição combinada entre as partes. Trecho: "material ou imaterial, pode ser contratada mediante".
- Tabela de contribuição mensal ao INSS, 2026 (abre em nova aba): a contribuição do autônomo, um dos custos dentro do piso por hora.
Como este guia foi feito
Escrito por Artur Batissoco, com apoio de inteligência artificial na redação. Revisado por Artur Batissoco, que conferiu as fontes em 08/10/2026. As contas do exemplo foram refeitas automaticamente. Os valores da Carla e das respostas prontas são ilustrativos e variam por área e cidade.
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