Como calcular o valor da sua hora como freelancer

O passo a passo para calcular a hora de freela a partir da renda que você quer, dos custos, do INSS, das férias e das horas que de fato viram nota.

Por Artur Batissoco · Revisado por Artur Batissoco · Publicado em · 7 min de leitura

Foto: stevepb (Pixabay (abre em nova aba))

Resposta curta

O valor da sua hora é a renda que você quer, somada aos custos e aos impostos, dividida pelas horas que você consegue cobrar no mês. Quase ninguém cobra 160 horas: sobram perto de 60% para faturar. Por isso a hora certa costuma ser bem maior que "salário dividido por 160".

Passo a passo de "Como calcular o valor da sua hora como freelancer": 1. A renda que você quer levar para casa; 2. Os custos que o cliente não vê; 3. Férias, meses fracos e o que ninguém paga; 4. As horas que de verdade viram nota.
Neste guia
  1. Por que copiar o preço do colega dá errado
  2. Passo 1: a renda que você quer levar para casa
  3. Passo 2: os custos que o cliente não vê
  4. Passo 3: férias, meses fracos e o que ninguém paga por você
  5. Passo 4: as horas que de verdade viram nota
  6. Exemplo resolvido: a hora de uma designer em 2026
  7. O que fazer com o número
  8. Erros comuns
  9. Perguntas frequentes
  10. Teste você mesmo
  11. Fontes
  12. Como este guia foi feito

Por que copiar o preço do colega dá errado

O preço do colega foi feito com os custos, a experiência e a rotina dele. Se ele mora com os pais e você paga aluguel, a mesma hora rende vidas diferentes. Se ele já tem clientes fixos e você ainda prospecta, ele fatura mais horas do que você.

Copiar o número também esconde um problema: você não sabe qual é o seu piso. Sem piso, todo desconto parece pequeno e toda proposta vira chute. A conta abaixo resolve isso em quatro passos e cabe numa planilha simples.

Passo 1: a renda que você quer levar para casa

Comece pelo que precisa sobrar na sua conta pessoal todo mês. Some aluguel, comida, transporte, contas e o que você quer guardar. Esse número é o seu "salário". Ele ainda não é o preço, porque faltam três camadas.

Seja honesto aqui. Um número otimista demais leva a uma hora que ninguém paga. Um número baixo demais leva a trabalhar muito e não fechar o mês.

Passo 2: os custos que o cliente não vê

Freelancer é uma empresa de uma pessoa. A empresa tem custos que existem mesmo no mês sem trabalho:

  • internet e telefone;
  • programas e assinaturas (edição, design, hospedagem, armazenamento);
  • computador e equipamento, divididos pelos meses de uso;
  • contador, taxas bancárias e cursos;
  • a sua contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O INSS merece atenção. Como contribuinte individual, você paga 20% no plano normal ou 11% do salário mínimo no plano simplificado. Quem é Microempreendedor Individual (MEI) paga 5% do mínimo dentro da guia mensal. A tabela de 2026 está no site do INSS, nas fontes deste guia.

Passo 3: férias, meses fracos e o que ninguém paga por você

Quem tem carteira assinada recebe férias pagas e um salário extra no fim do ano. Você não. Se quiser um mês de descanso, ele precisa estar dentro do preço dos outros onze.

A forma mais simples é pensar em meses faturáveis. Com um mês de férias, você fatura em 11 meses e vive 12. Então o valor mensal é multiplicado por 12 e dividido por 11. O mesmo raciocínio cobre janeiro fraco: veja o guia sobre reserva do freelancer.

Passo 4: as horas que de verdade viram nota

Esse é o passo que mais muda o resultado. Um mês tem perto de 160 horas na mesa, mas nem todas são cobráveis. Parte vai para responder pedidos, montar propostas, fazer reuniões que não fecham, emitir nota e cobrar.

Para quem está começando, 50% a 60% de horas faturáveis é uma estimativa razoável. Quem já tem clientes recorrentes chega a 70%. Anote suas horas por duas semanas e use o número real assim que puder.

Exemplo resolvido: a hora de uma designer em 2026

Ana quer levar R$ 5.000 por mês para casa. Ela é autônoma, paga INSS no plano simplificado e separa 10% do que fatura para impostos. Esse percentual é um valor de exemplo; o seu depende do formato (MEI, autônomo ou empresa).

Exemplo resolvido: a hora de uma designer em 2026
ItemValor por mês
Renda que Ana querR$ 5.000,00
Custos do trabalho (internet, programas, computador, contador)R$ 700,00
INSS, plano simplificadoR$ 178,31
SubtotalR$ 5.878,31
Ajuste para 11 meses faturáveisR$ 6.412,70
Com 10% reservados para impostoR$ 7.125,22
Horas faturáveis96 horas
Valor da horaR$ 74,22
Gráfico de barras, a hora de uma designer em 2026 (valor por mês): maior Com 10% reservados para imposto, R$ 7.125,22; menor Valor da hora, R$ 74,22; Subtotal, R$ 5.878,31. Fonte: Tabela de contribuição mensal ao INSS, 2026: alíquotas de 20%, 11% e 5% sobre o salário mínimo de R$ 1.621.
O gráfico da tabela acima.

As contas, uma por linha:

  1. INSS: R$ 1.621 × 11% = R$ 178,31.
  2. Subtotal: R$ 5.000 + R$ 700 + R$ 178,31 = R$ 5.878,31.
  3. Férias: R$ 5.878,31 × 12 ÷ 11 = R$ 6.412,70.
  4. Imposto: R$ 6.412,70 ÷ 0,9 = R$ 7.125,22.
  5. Horas: 160 × 60% = 96.
  6. Hora: R$ 7.125,22 ÷ 96 = R$ 74,22.

Ana arredonda para R$ 75 a hora. Esse é o piso dela: abaixo disso, cada hora trabalhada custa dinheiro. Se dividisse só os R$ 5.000 por 160 horas, ela cobraria R$ 31,25 e trabalharia no prejuízo sem perceber.

A regra geral, depois do exemplo: hora = (renda + custos + INSS) × 12 ÷ meses faturáveis ÷ (1 − imposto) ÷ horas faturáveis.

O que fazer com o número

O valor da hora é o seu piso, não necessariamente o preço que você mostra. Muitos clientes preferem um preço fechado por projeto. Em alguns casos, o valor que o trabalho gera justifica cobrar acima da hora. O guia preço por hora ou por projeto explica quando usar cada um.

Refaça a conta a cada seis meses ou sempre que um custo mudar. Preço parado perde valor com a inflação. O guia completo de preço junta todos esses passos.

Erros comuns

  • Dividir o salário por 160 horas. Muita gente acha que o mês inteiro vira hora cobrada. Na verdade, só 50% a 70% vira nota, porque o resto vai para propostas, reuniões e cobrança.
  • Esquecer o INSS e as férias. Muita gente acha que isso é coisa de empresa grande. Na prática, sem esses dois itens a sua hora sai uns 20% menor do que deveria.
  • Usar o preço do mercado como piso. Muita gente acha que o mercado diz quanto você vale. Na verdade, o mercado diz o teto; o piso vem dos seus custos, e abaixo dele você paga para trabalhar.

Perguntas frequentes

Qual é o valor médio da hora de freela no Brasil?

Não existe uma média confiável que sirva para todos, porque a hora varia por área, cidade e experiência. Use a sua conta como piso e compare com o que clientes da sua área aceitam pagar. Se o mercado paga menos que o seu piso, o problema é de nicho ou de custo, não de desconto.

Como calcular a diária de um freelancer?

Multiplique a sua hora pelas horas que você cobra num dia de trabalho. Com a hora de R$ 75 e 8 horas cobradas, a diária fica em R$ 600. Se o dia inclui deslocamento ou espera, cobre essas horas também, porque você não consegue vendê-las para outro cliente.

Devo mostrar o valor da hora para o cliente?

Nem sempre. Em projetos com escopo claro, muitos clientes preferem um preço fechado e se assustam com a soma de horas. A hora serve para você montar o preço do projeto e saber até onde pode negociar.

Como colocar as férias no preço?

Decida quantos meses por ano você quer faturar e faça a conta com eles. Com um mês de férias, multiplique o valor mensal por 12 e divida por 11. Assim o descanso já está pago quando chegar.

Teste você mesmo

  1. Bruno quer R$ 4.000 por mês, tem R$ 500 de custos, não tira férias, não reserva imposto e fatura 100 horas. Qual é a hora dele?
    Ver resposta

    R$ 4.000 + R$ 500 = R$ 4.500; R$ 4.500 ÷ 100 = R$ 45 por hora.

  2. Por que dividir o salário por 160 horas leva a uma hora baixa demais?
    Ver resposta

    Porque só parte das 160 horas é cobrada; propostas, reuniões e cobrança tomam o resto.

  3. O valor da hora é o preço que você mostra ao cliente?
    Ver resposta

    Não necessariamente. Ele é o piso para montar o preço do projeto e saber até onde negociar.

Fontes

Como este guia foi feito

Escrito por Artur Batissoco, com apoio de inteligência artificial na redação. Revisado por Artur Batissoco, que conferiu os valores do INSS na página oficial em 08/10/2026. As contas do exemplo foram refeitas automaticamente. O exemplo da Ana é ilustrativo: troque os números pelos seus.

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